sábado, 12 de maio de 2018

Batman | Christopher Nolan afirma que tentou seguir um caminho humanizado

Diretor também comentou restauração de 2001 - Uma Odisseia no Espaço



Nenhum evento realizado pelo 71º Festival de Cannes deu tanta dor de cabeça aos organizadores, quanto a palestra do diretor inglês Christopher Nolan (de Dunkirk) sobre os 50 anos de 2001 - Uma Odisseia no Espaço. Deu briga, atraso, gente se empurrando, segurança explodindo com a imprensa. Tudo isso foi pela ansiedade geral de ouvir um cineasta campeão de bilheteria, respeitado por suas escolhas estéticas radicais, falar sobre a obra de Stanley Kubrick (1928-1999), um de seus ídolos.

"Filmes em película simbolizam o patrimônio da memória do cinema" disse Nolan, pela primeira vez em Cannes. "Em meio à filmagem de Dunkirk, eu me aproximei do processo de restauração de 2001 não só por razões emotivas, mas para proteger nosso patrimônio visual. As pessoas confudem o processo de restauro com digilitalização. Ao digilitalizar, você corrige anomalias que fazem parte da granulação, que são informações essenciais ao longa".

Definido na Croisette como o artista que introduziu o IMAX em Hollywood, após Batman Begins (2005), Nolan viu 2001 pela primeira vez quando tinha 7 anos, em 1978. "Meu pai me levou no maior cinema de Londres pra ver o filme", conta o diretor. "Saí da sessão com a certeza de que o cinema é capaz de tudo".

Após explicar os detalhes da preservação do filme clássico, Nolan fez um balanço de sua carreira a partir de Amnésia (2000), que lançou seu nome para o estrelato. "Eu venho de uma escola noir, policial, no qual a ideia de melodrama entra para qualificar situações de sentimentos extremos. Meus personagens se revelam por suas ações", disse Nolan, ressaltando a dimensão humanística do Homem-Morcego que construiu com Christian Bale de 2005 a 2012.

O fato de Bruce Wayne não ter poderes foi o que mais atraiu o diretor. "Venho do noir e Batman é um herói que lida com o tom sombrio desse gênero em sua gênese. Os filmes e os quadrinhos sobre ele não exploram sua origem, que vem de um trauma, de uma perda. Eu tentei ir por esse caminho, mais humano", disse Nolan. "Cada um dos filmes da trilogia tem elementos de um gênero diferente de acordo com o vilão que tem. Batman Begins é uma história de formação, tendo como inimigo um ex-mentor: Ra's Al Ghul. O Cavaleiro das Trevas, a partir do Coringa, está mais perto dos thrillers policiais de Michael Mann. Já o terceiro, operístico, funciona como um épico de guerra, tendo Bane como um terrorista".

Perguntado sobre a chance de fazer um James Bond, Nolan disse que já fez algo perto do que seria um 007: "Na minha carreira, esse papel cabe à ficção científica A Origem. Aquilo é o que eu imagino de um filme de James Bond", diz o cineasta. "No cinema, a música tem um papel crucial: trilha funciona como um relógio que dita o ritmo dos acontecimentos".

Viabilizada com a ajuda de Nolan, a copia de 2001 exibida em Cannes, em 70mm, vai ganhar exibição comercial em salas da Europa. O festival segue até o dia 19.

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